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Usar meias apertadas durante o sono pode prejudicar a circulação sanguínea.

Pessoa sentada na cama massajando o tornozelo, com garrafa de água e meias ao lado.

It usually starts as something tiny.

Estás meio a dormir, com o edredão puxado para cima, uma perna de fora para “controlo de temperatura”, e depois reparas: uma pressão surda à volta dos tornozelos, onde as meias se enterram na pele. Mexes-te, puxas, ignoras. Chega a manhã e há um ligeiro anel vermelho a circundar a perna, como uma marca de algemas que não aceitaste.

A maioria das pessoas desvaloriza. Meias apertadas, Netflix até tarde, assunto arrumado. Mas cada vez mais clínicas do sono ouvem a mesma história: pernas pesadas, dedos dos pés a formigar, noites inquietas - tudo ligado ao que vestimos na cama. Não ao pijama. Às meias.

O estranho é que as meias são vendidas como aconchegantes e inofensivas. Macias, fofas, reconfortantes. Ninguém te diz que podem estar, discretamente, a apertar a tua circulação durante oito horas seguidas. É aqui que a história fica interessante.

Porque é que meias apertadas e sono profundo nem sempre combinam

Imagina as tuas pernas como uma autoestrada longa e delicada, onde o sangue e a linfa circulam para cima e para baixo o dia inteiro. Meias apertadas são como montar um bloqueio aleatório mesmo abaixo da barriga da perna. O trânsito continua, mas mais lento, mais caótico, com mais pressão atrás da barreira. Enquanto estás acordado, fletes, andas, esticas - e os músculos ajudam a bombear o sangue de volta ao coração. À noite, os músculos “desligam”. O elástico da meia continua a trabalhar.

Essa faixa de pressão à volta do tornozelo ou a meio da perna pode comprimir pequenas veias e vasos linfáticos. O sangue continua a entrar pelas artérias, mas a viagem de regresso pode tornar-se complicada. O líquido acumula-se. Os tecidos incham. É aí que algumas pessoas acordam com tornozelos inchados, dedos a formigar, ou aquela sensação estranha de “formigas debaixo da pele”.

Numa noite curta e em pessoas saudáveis, o corpo costuma dar conta do recado. Em noites longas e interrompidas - ou em quem tem fragilidades circulatórias escondidas - o efeito pode ser mais forte. O sono deveria ser o momento em que o corpo repara danos em silêncio. Em vez disso, costuras e punhos apertados podem transformá-lo num teste de esforço de baixa intensidade para as pernas.

Pensa num trabalhador de escritório de 45 anos, de Manchester, de quem uma enfermeira de cirurgia vascular me falou. Passava o dia sentado, conduzia até casa, jantava e depois caía no sofá com calças skinny e meias desportivas apertadas. Chegava a hora de dormir e ele limitava-se a passar para a cama tal como estava. Acordava com picadas e formigueiro no pé direito, encolhia os ombros. Voltava a acontecer.

Passados alguns meses, reparou numa zona dormente na lateral do dedo mindinho do pé. Nada dramático, apenas estranho. O médico de família não encontrou diabetes nem lesões nervosas graves, mas via marcas profundas das meias sempre que ele arregaçava as calças. “Experimente meias mais largas à noite, ou nenhumas”, sugeriu o médico, quase como quem comenta de passagem.

Duas semanas depois, a zona dormente estava menos evidente e o formigueiro matinal desaparecera. Não foi magia. Foi simplesmente retirar mais uma fonte de pressão de um sistema já sobrecarregado por passar o dia sentado, por varizes ligeiras e por estar a envelhecer. A história dele não é rara - só raramente é ligada a algo que parece tão trivial como meias.

No essencial, a circulação depende de gradientes de pressão e de vias de retorno. As artérias empurram o sangue para fora do coração com força. As veias e os vasos linfáticos dependem mais de válvulas, movimento muscular e baixa resistência. Um elástico apertado numa meia normalmente não corta o fluxo arterial - isso doeria muito e rapidamente. Tende é a apertar as vias de retorno, de menor pressão.

Quando essas vias ficam estreitadas durante a noite, o líquido pode infiltrar-se nos tecidos à volta. Surge um edema ligeiro - aquele inchaço de manhã que podes atribuir a “dormi de lado” ou “dormi mal”. Ao longo de meses ou anos, compressão repetida noite após noite pode agravar varizes existentes, tornar as “pernas pesadas” ainda mais pesadas, ou piorar a síndrome das pernas inquietas em algumas pessoas.

Para quem tem diabetes, doença arterial periférica ou problemas nervosos, o risco é maior. Os tecidos já têm mais dificuldade em receber oxigénio e nutrientes. Junta pressão noturna à volta de tornozelos e dedos, e pequenas áreas podem ficar mais vulneráveis a lesões. Por isso, muitos especialistas franzem discretamente o sobrolho quando ouvem falar de pessoas a dormir a noite inteira com meias apertadas e elásticas.

Como manter os pés quentes sem estrangular a circulação

O objetivo não é proibir meias na cama para sempre. É fazê-las trabalhar com o teu corpo, e não contra ele. Começa pelo punho: queres meias que mal deixem marca na pele de manhã. Procura expressões como “sem elástico apertado”, “cano largo”, “meias para diabéticos” ou “meias hospitalares”. Foram feitas para abraçar, não para apertar.

Experimenta o “teste dos dois dedos” antes de dormir. Calça a meia e depois desliza dois dedos por baixo do punho, no tornozelo. Se custar, é provável que seja demasiado apertada para um período de oito horas. Se entrarem facilmente e o tecido se mover com a pele, estás mais perto de uma opção segura. Parece picuinhas, mas demora cinco segundos - e os teus dedos vão agradecer.

O material também importa. Opta por algodão respirável, bambu ou misturas de lã macia, que aquecem sem prender o suor. Meias sintéticas e superelásticas costumam parecer confortáveis ao início e depois vão-se enterrando à medida que as pernas incham ligeiramente ao longo da noite. Calor é ótimo. Um torniquete não.

Criamos hábitos curiosos à noite. Há quem se deite com as mesmas meias de compressão desportiva do ginásio. Outros juram por shapewear, leggings justas ou meias pelo joelho puxadas com tanta força que o elástico quase se funde com a barriga da perna. Numa semana cheia, é fácil simplesmente não querer saber. Sejamos honestos: ninguém faz realmente todos os dias esse check “saúde das meias”.

Uma rotina mais simpática não precisa de ser perfeita. Tira tudo o que for apertado assim que te enfiares debaixo do edredão. Mantém um par de meias fofas e largas “de cama” só para dormir, diferentes das elásticas que usas com ténis ou botas. Se te der calor aos pés às 3 da manhã, tira um pé de fora dos cobertores em vez de puxares as meias para baixo e as deixares torcidas no arco do pé.

Nas noites em que as pernas estão especialmente pesadas - depois de um voo longo, de um dia inteiro de pé no trabalho, ou daquele desconforto de “já não tenho 20 anos” - dorme sem meias e eleva as pernas com uma almofada durante algum tempo. A gravidade pode ajudar mais a circulação do que qualquer gadget caro, e não custa nada.

“As pernas guardam memória de cada pequena pressão”, explica um cirurgião vascular de Londres. “Raramente é uma única noite com meias apertadas que causa problemas. São mil noites silenciosas e despercebidas, empilhadas umas sobre as outras.”

O lado emocional fica em pano de fundo. Numa noite fria, meias apertadas podem parecer uma armadura, uma pequena barreira contra o mundo. Numa noite solitária, calçar meias grossas de cama faz parte do ritual de se sentir seguro. De forma prática, muita gente usa-as porque está demasiado cansada para procurar “o par bom” na pilha de roupa lavada. Num plano mais profundo, aquecer os pés é um dos gestos de autoacalmação mais antigos que temos.

Todos já tivemos aquele momento de tirar as meias ao fim de um dia longo e ver os sulcos vermelhos à volta dos tornozelos. Esse choque silencioso - “Estava mesmo a apertar assim tanto?” - é um aviso útil, não apenas um incómodo estético. Ouvir esse sinal antes de dormir pode poupar-te a acordar com pernas inquietas, pele a picar ou pés inchados que tornam a correria da manhã ainda mais difícil.

  • Muda para meias de cama de cano largo nas noites frias
  • Usa o teste dos dois dedos no punho antes de dormir
  • Dá às pernas algumas noites por semana sem meias

Repensar o conforto ao deitar, uma meia de cada vez

Quando começas a prestar atenção, as meias à noite tornam-se uma espécie de metáfora silenciosa de como tratamos o corpo. Escolhemos o que realmente nos faz bem, ou o que é “suficientemente bom” porque estamos cansados? Deixamos as pernas respirar, ou mantemo-las sob ligeira pressão 24/7, dos sapatos da manhã ao scroll da meia-noite?

Deixar os pés livres - ou envolvê-los em algo mais suave - é um gesto pequeno com efeitos surpreendentes. Pés mais quentes podem ajudar-te a adormecer mais depressa. Menos marcas de pressão podem significar menos mexidelas às 2 da manhã. Melhor circulação durante a noite pode aliviar aquela sensação arrastada de pernas pesadas ao pequeno-almoço. Nada disto dá, por si só, um título dramático - mas somado ao longo dos anos, molda discretamente a tua saúde.

A verdadeira pergunta não é “Dormir com meias faz mal?” mas “O que é que as minhas meias fazem ao meu corpo quando eu não estou a reparar?” Em algumas noites, a resposta é: nada - dorme em paz. Noutras, especialmente com elásticos apertados e veias já cansadas, a resposta é: mais do que imaginas.

Talvez essa seja a pequena revolução aqui. Não banir meias à hora de dormir. Apenas criar o hábito de as dobrar para baixo, testar o punho, ou trocar por um par que trate as tuas pernas como se pertencessem a alguém de quem gostas. Uma mudança quase invisível, escondida debaixo do edredão - aquele tipo de detalhe de que raramente falamos, mas que sentimos em segredo.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
Punhos apertados comprimem as veias As faixas elásticas podem abrandar o retorno venoso e linfático durante a noite Ajuda a explicar inchaço matinal, formigueiro ou “pernas pesadas”
A escolha das meias importa Canos largos e tecidos respiráveis reduzem pressão e humidade Oferece uma forma simples de dormir mais quente sem prejudicar a circulação
Hábitos simples ajudam Teste dos dois dedos, noites sem meias, elevação das pernas Dá passos práticos para melhorar o conforto e proteger a saúde das pernas

Perguntas frequentes

  • Dormir com meias é sempre mau? Não necessariamente. Meias largas, sem elástico apertado e pensadas para dormir podem ajudar a aquecer e a adormecer mais depressa. A preocupação é sobretudo com meias apertadas e elásticas que deixam marcas profundas na pele de manhã.
  • Meias apertadas à noite podem causar problemas graves de circulação? Em pessoas saudáveis, costumam causar desconforto, inchaço ou formigueiro, mais do que doença grave. Em quem tem diabetes, varizes ou doença arterial, pressão repetida durante a noite pode agravar problemas circulatórios existentes.
  • Como sei se as minhas meias são demasiado apertadas para dormir? Procura sulcos vermelhos profundos, zonas dormentes ou dedos a formigar ao acordar. Se não conseguires deslizar facilmente dois dedos por baixo do punho ao deitar, provavelmente são demasiado apertadas para um período de oito horas.
  • Meias de compressão são seguras para usar na cama? Meias de compressão médica só devem ser usadas durante a noite se um profissional de saúde o recomendar especificamente. Foram desenhadas para pressão direcionada, não para uso casual ao dormir, e o nível de compressão importa.
  • Qual é a melhor alternativa se os meus pés ficam frios à noite? Experimenta meias de cama de cano largo, um saco de água quente perto dos pés, ou uma manta extra ao fundo da cama. Mantém os pés quentes sem que um elástico forte se enterre nos tornozelos ou nas pernas.

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